Compreendendo o amor ao Eterno
Ao longo de minha jornada espiritual, venho refletindo profundamente sobre como posso me transformar, conhecendo mais o Eterno e abrindo mão de mim mesmo para amar o próximo. Esse processo de mudança interna, acredito, está intimamente ligado ao amor ao Eterno, o que me leva a estudar e meditar em passagens centrais da Torá e do Novo Testamento, buscando entender como essa devoção se traduz na prática do amor ao próximo.
Eu creio que amar o Eterno, conforme descrito por Jesus em Mateus 22:37 — "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento" — é um chamado para uma devoção plena. Esse amor não pode ser superficial ou apenas de palavras. O próprio Jesus destaca que essa devoção deve englobar todas as nossas faculdades: o coração, a alma e o entendimento, o que, segundo minha interpretação, significa que o amor a Deus não é apenas uma questão emocional, mas envolve um compromisso profundo e intelectual com Seus mandamentos e com Suas obras.
Certamente, o estudo da Torá reforça essa visão. Em Deuteronômio 6:5, encontramos a mesma orientação: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças". A partir dessa perspectiva, percebo que o amor ao Eterno requer que nos esvaziemos de nossos interesses egoístas, colocando Suas vontades e ensinamentos acima de tudo. Não se trata apenas de uma expressão pública de fé, mas de uma transformação interna que nos leva a viver Seus mandamentos em cada aspecto de nossa vida.
Maimônides, no "Guia dos Perplexos", argumenta que o amor a Deus, ou Ahavat Hashem, é fruto do conhecimento. Possivelmente, quanto mais conhecemos as obras do Eterno e entendemos Seus caminhos, mais nos sentimos conectados a Ele. Ele afirma que o verdadeiro amor a Deus não pode existir sem um entendimento profundo de Sua criação e de Seus mandamentos. Assim, venho compreendendo que estudar a Palavra do Eterno é fundamental para alimentar essa devoção. Amar a Deus "de todo o entendimento", como Jesus mencionou, envolve uma busca contínua por conhecer e compreender as verdades divinas. Só então esse amor se torna genuíno e transformador.A ideia de temor a Deus, ou Yirat Hashem, também é relevante. De acordo com Maimônides, esse temor não é medo no sentido comum, mas um respeito profundo e reverencial. Esse respeito nos leva a uma vida de retidão e humildade, na qual reconhecemos nossa dependência do Eterno e a necessidade de seguirmos Seus caminhos com integridade. Esse temor saudável não é contraditório ao amor, mas complementa-o, lembrando-nos que amar a Deus significa também seguir Seus mandamentos com humildade e reverência.
Eu creio que a verdadeira transformação, para amar o próximo como a mim mesmo (Levítico 19:18; Mateus 22:39), começa com essa devoção sincera ao Eterno. Quando me comprometo a conhecer mais o Eterno e a viver Seus ensinamentos, automaticamente passo a enxergar o próximo com os olhos da compaixão e do amor que Ele deseja. Ao abrir mão de meus interesses egoístas, como ensinam os mandamentos, percebo que só amando verdadeiramente ao Eterno posso ter a capacidade de amar o próximo de forma genuína.
Em minha caminhada, aprendi que não há atalhos para essa mudança interna. Possivelmente, o caminho para amar o próximo exige que eu, primeiro, me esvazie de minhas vontades e me volte inteiramente ao Eterno. Só então posso amar com o mesmo amor que recebo Dele, cumprindo o maior dos mandamentos de forma plena e verdadeira.


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